Escola é o espaço do múltiplo. É ali onde cada criança afirma o seu jeito único de ser e ver o mundo para a constituição de um coletivo que faça diferença. E vale lembrar que o que move esse grande projeto é o afeto e o respeito. Sempre.

Para lidar com as singularidades de cada um, é preciso simplicidade. Simplificar e ser generoso para acolher, convidar e aceitar o outro. Cada família tem a sua história de vida – que pode ser costurada à cidade, a uma tradição ou à religião. E tudo isso se costura ainda aos fatores econômicos, a um desejo específico.

Sendo assim, vamos refletir: é papel da escola valorizar as datas comemorativas? Bem, para sermos diretos, existem dois tipos de datas presentes no calendário escolar: uma de ordem religiosa e outra de ordem, digamos, econômica. As religiosas, sabemos quais são: Páscoa, Natal, Yom Kippur… As econômicas (não sei se essa definição ainda me convence totalmente) são os famosos Dia dos Pais, das Mães, das Crianças…

E o que dizer para aqueles que têm outra configuração familiar? Sem o pai, sem a mãe, criado pelos avós, com duas mães ou dois pais? “Olha, ainda não criaram uma data para o seu tipo de família… você não leva o presentinho.”

Não dá para tratar desse tema sem destacar também o calendário do ano letivo e a maneira como a escola se comunica com as famílias. Escola que para a todo instante para celebrar datas, fazer presente para pai e mãe, desenhar coelho, ensaiar passinhos, não tem tempo para o “resto”, ou seja, ensinar e construir uma relação criativa entre professores e crianças. Além disso, escola que acha que precisa colocar os alunos para dançar se quiser envolver ou emocionar os pais está enganada. Isso não é suficiente. E demonstra quais são as prioridades dela. Para mim, a família tem de ficar feliz em ver que seus filhos e suas filhas aprendem e socializam. Não se saem bem na foto vestidas de duendes.

O mesmo digo para as escolas que insistem em transformar a sua religião em dominante. Além de existir uma lei federal, que diz que toda escola deve ser laica, respeito as configurações diversas! Também existem aqueles colégios que decidem não comemorar nada. Tudo bem, mas é papel deles informarem as famílias dos porquês de suas decisões.

Particularmente, acho válido fazermos memória com outros temas. Comemorar a importância de estarmos juntos. As festas populares, como as juninas, podem ser um bom motivo para celebrar o coletivo. O presente é uma linda data para festejarmos o afeto e o respeito pelas singularidades das famílias contemporâneas e suas escolhas. Celebremos o hoje!

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