O número de pessoas consideradas obesas no Ceará ultrapassa a média nacional. O consumo de cereais importantes para a nutrição vem diminuindo. Na mesma leva, há um aumento do consumo de produtos industrializados e a falta de exercícios físicos.

Giovana Marques, de 8 anos, bem poderia ser aquela criança da propaganda, em que um garotinho faz escândalo no supermercado pedindo brócolis. Quando a Giovana nasceu, a preocupação da mãe foi de mudar os hábitos alimentares de toda a família. A garotinha era a primeira e, até agora, única filha da economista Marta Melo, de 47 anos. Mãe de primeira viagem, Marta queria passar bons exemplos à menina.

Pelo portão de casa, passava somente alimentação saudável: primordialmente frutas, legumes e hortaliças orgânicos. Nada de chocolate e refrigerante. A criança deveria acompanhar os bons ensinamentos vistos em casa.

“Sempre gostei de alimentação saudável. Depois do nascimento dela, aumentei o consumo. Claro, ela pode comer, de vez em quando, as guloseimas infantis”, analisa a mãe. A família de Marta é exceção. Em pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde neste ano, intitulada Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), os resultados surpreendem. O levantamento com 54.339 adultos, residentes nas 26 capitais e no Distrito Federal, apontou que Fortaleza é a segunda capital do Brasil com o maior número de obesos.

“Estamos passando por uma transição nutricional. É a mudança do perfil alimentar da população brasileira. Antes, o problema do Brasil era desnutrição. Agora é obesidade”, determina a professora do curso de Nutrição da Universidade Estadual do Ceará (Uece) Marlene Marques Ávila.

Segundo dados da pesquisa, ao considerar o Índice de Massa Corporal (relação entre massa corporal e altura), 18,2% dos residentes na capital cearense são considerados obesos. Dentre as cidades pesquisadas, Fortaleza só tem menor percentual de população obesa do que Cuiabá (MT), com 18,7%. A média nacional de população obesa é de 15%. Se forem somadas as pessoas com sobrepeso, o número ultrapassa 30%.

As mudanças das práticas alimentares significam que o brasileiro está consumindo mais alimentos ricos em gorduras saturadas e açúcares. Ao mesmo tempo, segundo Marlene Marques, as pesquisas mostram uma larga redução no cardápio de cereais, como ao arroz, o feijão. “Não houve uma diminuição de frutas e verduras. O que o brasileiro não tem e nunca teve é um consumo suficiente”, aponta a nutricionista.

Desnutrição

Hoje temos, no Brasil, apenas 6% da população com desnutrição, de acordo com Armênia Uchoa, professora do curso de Nutrição da Universidade de Fortaleza (Unifor). “Por um lado, isso é muito bom. A desnutrição é uma doença familiar. E houve uma redução significativa da prevalência no Ceará”, coloca.

Nas últimas duas décadas, o Brasil vem passando por uma transição epidemiológica e nutricional. Aliados a esses fatores, a professora aponta o aumento da renda familiar, a presença do saneamento básico, a escolaridade, o aumento das políticas públicas voltadas para a família como pontos positivos e que não devem ser descartados. São todos avanços muito importantes. O problema, segundo ela, é a substituição de refeições por alimentos industrializados.

Por quê

ENTENDA A NOTÍCIA
Especialistas apontam que a quantidade de pessoas obesas cresceu no Brasil, e especificamente no Ceará nas últimas três décadas devido à falta de exercícios físicos e à alimentação inadequada. O consumo de alimentos industrializados, calóricos e gordurosos, é uma das causas.

FONTE: O POVO

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