Restrição ao cigarro muda o perfil de fumantes

Cresce o número de pessoas, principalmente jovens, que fazem uso eventual do cigarro. Porém riscos à saúde continuam altos.

Desde que o uso do cigarro foi proibido em lugares fechados, um novo perfil de fumantes vem ganhando força, principalmente entre os jovens. Perdem espaço aqueles que consomem cigarros todos os dias e entram em cena os tabagistas ocasionais, que deixam o cigarro para os fins de semanas ou preferem fumar em festas, passando dias longe do cigarro.

Segundo dados de uma análise feita pela Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (SMSC) a partir da pesquisa Vigitel Brasil, do Ministério da Saúde, entre 2006 e 2009 (primeiro ano da proibição do fumo em locais fechados no Paraná), o número de fumantes esporádicos na capital subiu 70%, enquanto que o de fumantes regulares estabilizou-se.

O fenômeno, segundo Alberto de Araújo, presidente da comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, não é novo. “Nos Estados Unidos, após a implantação da lei, os fumantes regulares reduziram o consumo e os ocasionais se tornaram maioria”, diz. Na opinião dele, é perceptível que o número de fumantes ocasionais no Brasil está crescendo entre os jovens. “Como eles são mais informados sobre os riscos, preferem não abusar. Mas é ilusão achar que cinco cigarros no fim de semana não fazem mal. Eles fazem, e muito.”

Riscos

De acordo com os especialistas, o hábito de fumar esporadicamente diminui as chances de incidência de doenças, mas os riscos são altos. “Quanto mais tempo a pessoa fuma, maior a possibilidade de ter problemas como enfarte, acidente vascular cerebral, alergias respiratórias e câncer, mas o efeito não tem uma relação clara com a quantidade de cigarros e sim com a toxicidade das substâncias”, diz João Alberto Rodrigues, coordenador do programa de controle do tabagismo da SMSC.

Pessoas com arritmia cardíaca, hipertensão, bronquite e asma, por exemplo, podem ter uma crise de desconforto cardíaco ou respiratório com apenas um ou dois cigarros. “Independentemente da quantidade consumida, fumar compromete a qualidade de vida e pode matar”, alerta Ricardo Meirelles, pneumologista da divisão de controle de tabagismo do Instituto Nacional de Câncer (Inca). E engana-se quem pensa que fumar de vez em quando não é vício. Mesmo que precise de poucos cigarros para se satisfizer, a pessoa mantém uma relação psicológica de prazer e dependência. “Não existe o ‘fumar somente quando quer’. Sem perceber, você fica ansioso para tragar o cigarro e tão dependente que não consegue mais viver sem.”

Um dos riscos, segundo Araújo, é que a pessoa que hoje se satisfaz com cinco cigarros por semana pode, em alguns meses, querer um maço ao dia. Isso porque a nicotina faz com que o cérebro libere dopamina (que dá a sensação de prazer). Com o tempo, o cérebro se acostuma e passa a pedir mais nicotina.

Para Meirelles, apesar dos riscos, a mudança de perfil dos fumantes faz com que muitos acabem reduzindo o consumo de cigarros e motivem-se a largar de vez o vício. “Cada vez mais pessoas abraçam a ideia de que o tabagismo é doença e deve ser combatido.”

FONTE: Gazeta do Povo

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