O jornalista Camilo Vannuchi, editor de Época São Paulo e grávido de seis meses de Daniel, conta tudo o que ele descobriu até agora.

Ele me chutou. Arregalei os olhos e grudei a palma da mão na barriga da Aline. “Está sentindo?” Respondi com um gesto, compenetrado demais para desperdiçar outro chute daquele. Ou terá sido uma espreguiçada? Silêncio. Concentração total no sexto mês de gestação. “Chuta o papai, chuta!”, pensei em dizer. Mas não disse nada. Li em algum lugar que não devemos estimular brincadeiras violentas. Fiquei ali, esperando outro petardo – um pontapé de matar qualquer pai de inveja. Quem diria que um chute me dexaria sorrindo? Mas é assim: você vai se tornando pai ou mãe aos poucos, durante a gravidez, com cada pequena conquista do seu bebê.

Coisa boba é pai. Leva um chute e fica todo pimpão, esperando um replay. “Chuta o papai, chuta.” Papai. Engraçado, isso. Mudar de nome de uma hora para outra, aos 31 anos. Em casa, na escola ou no trabalho, já fui chamado por diferentes apelidos. Também respondo quando me chamam de Filho – embora apenas duas pessoas tenham o hábito de me chamar assim. Dá uma sensação boa, de conforto e segurança, ser chamado de Filho. Mas pai? Pai dá um baita medo. Enche a gente de orgulho – “Fui eu que fiz” – mas, ao mesmo tempo, traz um monte de preocupações. Será uma criança saudável? O dinheiro será suficiente? Vou saber educar?

É verdade que muito pouco se diz sobre os pais. Raramente alguém se interessa em saber como é a gestação do NOSSO ponto de vista. Todo mundo só quer saber da mãe: como ela está? Depois do parto, o centro das atenções será o bebê: tudo bem com ele? Chegam mesmo a dizer que o papel do homem termina no momento da concepção. Bobagem. A melhor gravidez é aquela que se vive a dois. A três, para ser exato. A quatro (se forem gêmeos), e assim por diante.

Um mundo cheio de descobertas

Se você é homem, e se está desconfortável por não saber como agir, saiba que esse turbilhão de sentimentos é mais comum do que você imagina. E, principalmente, que há uma série de coisas que você pode fazer para se aproximar da sua parceira e, desde já, ir se acostumando com a ideia da paternidade (leia quadros com dicas) . Se você é mulher, e está grávida, faça um favor a seu companheiro: inclua-o, sempre, na brincadeira. Ele deve estar louco para participar.

Coisa que treme é pai. Por mais seguro que seja, todo homem se depara com o pavor do desconhecido ao se dar conta do que está prestes a acontecer. Meus medos não tardaram a surgir. O primeiro foi em relação à conta bancária – logo descobri, na internet, que é esse o campeão dos temores entre os homens nessa fase. Outro medo muito comum nos pais-debutantes é abdicar da vida amorosa por causa das demandas da família. Encanação minha? Pode até ser. Mas é bom lembrar que é mais regra do que exceção. “Não se preocupe com isso agora, porque, quer saber, só vai piorar”, brincou um colega no mês passado. Sacana!

Senti um frio na espinha ao adotar a palavra pai pela primeira vez para me referir a mim mesmo. Aliás, frio na espinha é mais do que uma figura de linguagem. Frio na espinha é coisa real, palpável, tangível. Ao menos para os grávidos de primeira viagem – como nós. Mesmo quando a gravidez foi programada, desejada, esperada – como a nossa. Eu e Aline, 34 anos, professora, já éramos casados havia sete anos e meio quando resolvemos abolir os anticoncepcionais, em dezembro de 2010. Em meados de fevereiro, o ciclo menstrual já tinha desandado. Dias depois, ela pegou o resultado do exame de beta-HCG pela internet e me alcançou no trabalho, no meio da tarde, por e-mail. “Baby”, era o título. “Veja com seus próprios olhos”, dizia a mensagem. Aline estava com um mês e pouco de gravidez. Ou cinco semanas, como preferem os médicos e as mães.

Como os pais podem participar mais

• Ouça. É provável que sua mulher comece a falar sobre o bebê – se ele está chutando, por exemplo – ou sobre a decoração do quarto – papel de parede ou tinta? – nas ocasiões mais improváveis. Esqueça o placar do jogo ou o faturamento da empresa e entre imediatamente nesse universo de planos e fantasias. Você vai se divertir.

• Troque experiências. Pode ser com um amigo que já teve filhos ou mesmo com seu próprio pai. Eles darão dicas valiosas, as mais diversas.

• Seja paciente. Em alguns momentos, você vai ter saudade da TPM dela. Afinal, aquela fase durava um ou dois dias, e não nove meses! Releve, respeite os desejos bizarros que pintarem, segure a onda quando o apetite sexual (seu ou dela) desaparecer etc. O importante é que ela se sinta acolhida e confortável.

FONTE: Revista Crescer

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