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Não sendo Portugal um país como muitos dos outros europeus (quase todos!) onde faz frio e neva com frequência e as pessoas praticam esqui ou patinam em lagos gelados, há, contudo, muitos acidentes que têm o seu pico no inverno. Vamos recordar alguns, mas com o “aviso prévio” de que eles podem acontecer noutras alturas do ano e não exclusivamente quando o frio aperta ou a chuva cai.

O inverno é mais propício a estar-se dentro de casa, seja no domicílio, seja nas salas de infantários, jardins-de-infância ou escolas. Por outro lado, o frio leva à utilização de aparelhos que, noutras alturas do ano, estão guardados nos armários, designadamente aquecedores, braseiras, escalfetas, botijas de água quente, cobertores elétricos e também que se acendam lareiras e recuperadores de calor.

 

Em casa

Comecemos por aqui. O perigo de queimaduras é grande, especialmente com o fogo. Claro que um radiador de um aquecimento central pode causar uma queimadura, mas é raro atingir temperaturas suficientemente elevadas. Contudo, o vidro de um recuperador de calor fica muito quente (tal e qual o vidro de um fogão que não tenha proteção térmica exterior) e, por exemplo, uma criança que começa a pôr-se de pé pode apoiar-se nele, queimando as mãos e, depois, caindo e ainda se magoando mais. Acresce que, com os recuperadores, há uma falsa sensação de segurança, quer por parte da criança, quer pelos próprios adultos, dado que o fogo “está longe” e não parece tão “vivo”. As lareiras são um chamariz. Aliás, e falo por mim, com uma lareira acesa é difícil fazer-se outra coisa que não olhar para ela e ter vontade de lhe mexer, “retocando” os tarolos, de cinco em cinco minutos. As chamas são fascinantes, por várias razões que não podemos agora escalpelizar, e uma criança de dois ou três anos sentir-se-á muito atraída, podendo até, mesmo que não pondo as mãos diretamente, querer imitar os adultos e pegar nos utensílios e mexer, ela própria, nas madeiras – até porque vê o “fogo de artifício” amarelo e cor-de-laranja que acontece de cada vez que se revolvem os troncos. Podem depois estes troncos cair, queimando-a ou até incendiando tapetes, alcatifas ou as próprias roupas da criança. As fagulhas naturais do crepitar da lenha, mesmo perdendo energia no seu trajeto pelo ar, podem também atingir a criança com suficiente temperatura para queimar ou, pelo menos, assustar, desequilibrar e esta cair. Não esquecer, também, que lareiras significam acendalhas e outros aceleradores de combustão, como fósforos, por exemplo.

 

Outro problema das lareiras tem a ver com o monóxido de carbono. É um problema grave e não deve ser ignorado, apesar de ser um “assassino” silencioso e invisível.

 

O monóxido de carbono é um gás invisível, sem cheiro, sem paladar e sem cor, que é gerado quando os combustíveis fósseis (como a gasolina, madeira, carvão, gás propano, óleo e metano) ardem incompletamente. Os automóveis que ficam com o motor a funcionar em garagens e locais fechados também produzem elevadas quantidades de monóxido de carbono. Durante a combustão normal, cada átomo de carbono junta-se a dois de oxigénio, formando um gás inofensivo – o dióxido de carbono. Se houver oxigénio insuficiente para a combustão incompleta do carbono, dá-se a ligação de um átomo de carbono com um único átomo de oxigénio, formando-se o monóxido de carbono, esse “assassino invisível e silencioso”. O facto de este gás não ser detetado pelas pessoas explica a sua grande agressividade. O monóxido de carbono é respirado e entra na corrente sanguínea, substituindo o oxigénio na sua ligação à hemoglobina, impedindo assim os tecidos e as células de respirar. Os sintomas dependem da quantidade, do tempo de exposição, mas também da idade e do estado geral de saúde. As crianças estão em maior risco, dada a vulnerabilidade do seu sistema nervoso. Por outro lado, as crianças não se apercebem dos seus sintomas – e muitas vezes os adultos interpretam mal esses sintomas – pelo que a situação pode agravar-se. Além disso, como o gás é mais pesado do que o ar, tende a acumular-se junto ao chão em maiores concentrações, o que afeta mais as pessoas de baixa estatura, como os bebés e as crianças. Os sintomas começam geralmente com dores de cabeça ligeiras e náuseas, com rápida evolução para náuseas e vómitos e depois colapso e perda de consciência, se a quantidade do gás for muito grande. A velocidade a que se dá esta progressão depende também da concentração de monóxido de carbono, mas pode ser quase instantânea. Ao desmaiar e cair, a pessoa fica no chão onde, como já se disse, os níveis de gás são ainda maiores. Nos casos graves pode acontecer a morte ou a pessoa ficar com graves sequelas neurológicas.

 

Ainda em casa, a utilização mais frequente de secadores de cabelo pode, sobretudo em crianças que já os utilizam sozinhas ou nas que têm dois ou três anos e são muito irrequietas, causar queimaduras no escalpe ou, se o secador cair no lavatório e este tiver ainda água, provocar uma eletrocussão.

 

Finalmente, estando mais tempo em casa, a relação com o ambiente caseiro (móveis, cozinha, correrias pela casa, tomadas…) – enfim, tudo dependerá da idade mas tudo tem a ver com a relação criança versus ambiente – é mais provável a ocorrência de acidentes domésticos, como quedas, entalões, etc.

 

 

No exterior

 

Vive-se menos fora de casa, no tempo frio (embora erradamente, porque à exceção de dias em que “a proteção civil manda não sair”, não há razão para o medo tão exagerado que os portugueses têm do mínimo chuvisco.

 

Estamos, contudo, habituados a deslocarmo-nos de carro ou transportes, e no inverno isso acontece ainda mais, com risco de acidentes aumentado, conforme é do conhecimento geral e da experiência profissional de agentes de autoridade, de médicos e enfermeiros. Ainda por cima quando muitos portugueses, com chuva ou nevoeiro, preferem continuar a carregar no acelerador em vez de pensar que estão a circular “sobre azeite”. E, segundo os dados disponíveis, há ainda muitas crianças que andam no carro mal transportadas, à solta ou com a cadeirinha ou cinto mal colocados.

 

Ao andar a pé, há que ter cuidado com o piso escorregadio (principalmente nas primeiras chuvas, em que a água se mistura com folhas secas, poeira e musgo) e então quando há gelo as quedas podem dar-se de repente, sem aviso prévio, com traumatismos cranianos, fraturas e outras lesões. Muita atenção nos recreios escolares!

 

Ainda falando de escolas, a inexistência, na maioria das escolas, de recreios protegidos, leva a que as crianças (centenas!) fiquem nos corredores ou nos pequenos espaços com telhado, fomentando empurrões, correrias, conflitos e respetivos acidentes.

 

Para quem anda na neve ou vai para outros países à procura de esqui, cuidado também com as ousadias, desde o deslizar em sacos de plástico à utilização de tobogãs ou esquiar em “pistas negras”. É preciso ter esse gozo com a necessária segurança, para que um bom momento não acabe por se tornar numa tormenta.

 

O espaço é reduzido, mas creio terem ficado aqui algumas ideias, que o leitor desenvolverá. Sendo o último artigo, apelo aos pais: não se limitem a “seguir instruções”: pensem pela vossa cabeça, revejam as ideias que vos são dadas face ao que é a vossa vida e apliquem o bom senso e o “pensar segurança”, de modo a que, exatamente, possam ter gosto em viver, gozo nas atividades dos vossos filhos e protegê-los com vista a um percurso de vida feliz e de qualidade.

 

FONTE: Pais e Filhos

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