Crianças praticam paciência e conceitos escolares na cozinha

Organização, menos preconceito e até prática de matemática: benefícios da culinária para os pequenos vão bem além das receitas.

Oportunidades para as crianças botarem a mão na massa e aprenderem a fazer pratos como bolinhos, quibes e wraps não faltam. Mas o desenvolvimento das habilidades culinárias traz outras vantagens para seus filhos, além do cheirinho de bolo no forno e do prazer de comer uma receita preparada por eles mesmos: aprender a provar alimentos com menos preconceito e ter mais noções de higiene são algumas.

Para a nutricionista Ariane Pereira, da DNA Nutri, crianças que aprendem a cozinhar são estimuladas a consumir alimentos mais saudáveis com maior facilidade. Andrea França, diretora da MiniChefs – Escola de Culinária Infantil, de São Paulo, concorda. “Ao participar da elaboração de receitas diferentes, elas ampliam o repertório e acabam conhecendo e experimentando alimentos aos quais não estavam habituadas”, afirma.

Experimentando alimentos e aprendendo a dividir

Ao aprender a cozinhar, as crianças ganham não só em valor nutricional – mas também em experiência cultural e social. Para Betty Kövesi Mathias, coordenadora e professora da Escola Wilma Kövesi de Cozinha e Gastronomia, a cozinha é um lugar lúdico. Manipular diferentes alimentos e preparar um prato desperta a curiosidade para experimentar algo que, antes, as crianças poderiam até achar que não gostavam. “Além disso, se alimentar melhor aumenta a possibilidade de uma criança desistir de produtos industrializados”, diz.

Dentro das aulas de cozinha, a criança pode exercitar o trabalho em equipe e aprender a se integrar da melhor maneira com o grupo. É preciso aprender a dividir os utensílios e as tarefas quando necessário, por exemplo. Além disso, de acordo com Andrea França, as crianças mais introvertidas podem começar a se soltar mais facilmente com a preparação dos pratos. “Muitas vezes as mais tímidas são as que acabam mais envolvidas e melecadas”, diz.

A cozinha também oferece uma chance de desenvolver a capacidade de ordenação, já que é preciso se organizar para colocar uma receita em andamento. Além disso, a capacidade de seguir orientações e aprender a “bolar um plano B” também é treinada. “Às vezes as coisas não saem exatamente como queríamos e é preciso achar uma solução”, diz Andrea França.

Estar na cozinha dá, ainda, uma oportunidade perfeita de conversar com as crianças sobre lixo, desperdício, cuidado e respeito à natureza.

Aprendizado e paciência

Segundo Telma Scott, coordenadora de Educação Infantil do Colégio Sidarta, em São Paulo, não é à toa que a culinária também acaba, muitas vezes, entrando em sala de aula: “É a proposta de aprender pela experiência”. De acordo com ela, cozinhar é uma tarefa envolvente e é na cozinha que costumam ser feitas muitas descobertas.

Pesar ingredientes pode ajudar os pequenos a treinarem a matemática e observar as mudanças no bolo quando o fermento entra em cena reforça os conceitos de química. Novas palavras também entram para o vocabulário, já que a cozinha possui um mundo de alimentos, utensílios e verbos – como flambar e refogar – para serem aprendidos. Dependendo da origem do prato do dia, a criança também aprende sobre outras culturas ao entrar em contato com alimentos de diferentes origens.

Outro ponto importante, de acordo com Andrea França, é o cultivo da paciência: “Hoje em dia as crianças não sabem esperar por nada, mas dentro da cozinha não tem jeito: colocou o bolo no forno, é preciso esperar 40 minutos”.

Cozinha em família

Para a nutricionista Ariane Pereira, o ideal é começar as aulas – em casa ou fora dela – a partir dos quatro anos de idade, quando as crianças são capazes de compreender melhor os conceitos dos alimentos. Portanto, durante as aulas ou até mesmo com os pais, é possível explicar aos pequenos sobre os benefícios nutricionais de um alimento. “Esse tipo de atividade também faz com que a criança tenha maior conhecimento sobre o alimento que está consumindo”, diz.

Explicar que aquele suco rico em vitamina C vai ajudar a criança a não ficar resfriada com facilidade, por exemplo, é importante. Além disso, acompanhar o seu pequeno mestre-cuca na cozinha para descobrir o que ele aprendeu – uma precaução essencial para seu filho assumir as panelas – pode propiciar uma boa chance para associar os bons momentos às boas práticas alimentares.

FONTE: IG Delas

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