26/7: A TRILHAS PARABENIZA A TODOS OS AVÓS PELO DIA DE HOJE!

O papel dos avós

Quando posso observar as relações familiares no espaço público, não perco a chance. Aliás, como a distinção entre o público e o privado está bem tênue, vê-se cenas que antes não se via.

Ultimamente, meu olhar tem se dirigido à relação de avós e netos, uma novidade do mundo contemporâneo. Ambos os papéis mudaram muito na atualidade, e tem crescido o número de crianças e jovens que se relacionam cotidianamente com os avós, fato raro décadas atrás.
Por sinal, um fenômeno interessante ocorre concomitantemente: com a diminuição do número de filhos e o aumento da longevidade, temos hoje, com frequência, mais avós do que netos -o que interfere nas relações entre eles.

Afinal: qual o papel dos avós na atualidade?

É expressivo o número de avós, de todas as classes sociais, que assumiram o processo educativo dos netos, junto com a responsabilidade pelo sustento deles ou não. Muitas mulheres deixam o filho com os avós enquanto cumprem sua jornada de trabalho -por razões econômicas ou por escolha-, e isso tem gerado inúmeros conflitos de geração. Outros pais, dedicados em demasia à própria vida, abandonam seus filhos e os deixam com seus pais enquanto se divertem em festas, viagens etc.

Uma questão importante a ressaltar é que, ao assumirem a responsabilidade pelos netos, os avós -notadamente as avós- conseguem manter, de modo sutil ou escancarado, os filhos adultos sob sua dependência. E, como para tornar-se mãe ou pai é decisivo deixar de ocupar o papel de filho/a, isso colabora para que as relações entre as três gerações se tornem mais complexas ainda.

Não podemos esquecer também que muitos pais, hoje, estão muito comprometidos com a parte operacional da formação dos filhos. Boa parte de seu tempo e disponibilidade é dedicada a escolher os cursos e a escola que irão frequentar e ao acompanhamento dos estudos, dos compromissos sociais dos filhos etc.

Tanto empenho tem seu preço: a parte afetiva nas relações com os filhos tem sido bem prejudicada. Em falta, eu diria. E, na busca de um porto seguro afetivo, é muitas vezes nas relações com os avós que crianças e adolescentes têm encontrado o lenitivo necessário quando enfrentam as inevitáveis vicissitudes da vida.

É importante que lembremos que as relações entre avós e netos não são naturais, são construídas. Nossa responsabilidade é grande porque estamos criando uma cultura nesse campo, já que o modelo antigo não faz mais tanto sentido.

A questão que mais nos importa é: que papel a geração intermediária entre avós e netos quer exercer nessa criação?

Categoria: Folha Equilíbrio

Escrito por Rosely Sayão às 12h17

Na casa dos avós é sempre domingo?

Em “Livro dos Avós”, uma psicoterapeuta e um pediatra falam das mudanças no papel dos avós na família

Por Marcelo Cypriano
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Em alguns de seus textos, a escritora Lya Luft se define como uma avó “não muito parecida com as outras avós”, pois a netinha (volta e meia personagem de seus escritos), que mora a apenas um andar de distância, a vê todos os dias trabalhando, fazendo exercícios e navegando na internet. Não faz muito tempo que Lya escreveu isso, já no século 21, mas aquele tipo de avó incomum citada por ela está cada vez mais fácil de se encontrar.

Antigamente, com a expectativa de vida do ser humano por volta dos 40 anos, dificilmente alguém chegava a ver seus netos. No século 19, somente 3% das pessoas ultrapassavam os 60 anos. Com o avanço da ciência e da medicina do século 20 em diante, a sobrevida se ampliou bastante, e hoje vivenciamos o que os estudiosos chamam de “o século dos avós”, pois eles permanecem com os netos até quando estes já são adultos e têm seus filhos. Já não é mais tão raro presenciarmos pessoas se tornando bisavós e bisavôs ainda com bastante saúde e lucidez. Com isso, muitos têm mais tempo de passar seus conhecimentos e orientações às gerações posteriores em um contato pessoal, direto.

Com base nisso, a psicóloga Lidia Rosenberg Aratangy e o pediatra Leonardo Posternak lançaram o bestseller “Livro dos Avós – Na casa dos avós é sempre domingo?”, para mostrar as mudanças ocasionadas pela vida mais longa e o contato prolongado com a família. Entre outras informações, o livro mostra, por exemplo, que pesquisas realizadas entre os norte-americanos apontam que mais de 50% deles chegaram a ter netos entre os 49 e os 53 anos, permanecendo ainda de 30 a 40 anos como avôs e avós. Na França, 80% das pessoas com mais de 65 anos têm netos, e mais da metade deles chegará a ter bisnetos. A Inglaterra tem cerca de 16,5 milhões de avós, sendo que metade da população do país tem netos quando estão com cerca de 54 anos – muitos responsáveis por criar e cuidar deles, pois os avós ingleses passam cerca de 6 horas diárias no lugar dos pais.

Podemos, a partir dessas informações, concluir que a grande presença de avós é relativamente recente para a humanidade. Por isso os autores lançam a seguinte pergunta: Onde aprendemos a ser avô e avó? Na apresentação da obra, eles consideram: “Gostaríamos que este livro funcionasse como um avô que discute questões e propõe respostas; levanta problemas e indica soluções. Ao apresentar diferentes modelos e expectativas da função de avós, alguns dos quais até opostos aos estereótipos idealizados, oferecemos estratégias que propõem reduzir confrontos inúteis e diminuir a dor de confrontos inevitáveis.”

Ambos os autores usam de experiências acompanhadas por eles, mas também muito de suas próprias vivências – como avós e como netos que já foram – em textos não somente esclarecedores, mas agradável leitura. Abaixo, dois exemplos:

Se Deus quiser… (Leonardo Posternak)

(…) “Elisa, minha avó paterna, era muito bonita e vaidosa, com longos cabelos louros que usava recolhidos em um coque elaborado. Vestia-se com simplicidade e elegância, sem jamais abrir mão de saltos altos – nem dos cuidados de cabeleireiro e manicura, que nunca eram totalmente satisfatórios ao seu olhar exigente. Quando nasci, ela beirava os 70 anos. Por volta dos meus oito anos, eu já a ouvia expressar seu maior desejo: “Peço a Deus que me dê vida até você fazer o Bar-Mitzvah (*)!” Fiz meus 13 anos e, na festa, ela dançou a noite toda. A partir daí, a prece mudou: “Se Deus me der saú­de, para ver você na Faculdade…

Assim que entrei na Faculdade de Medicina, aos 18 anos, sua fala passou a ser: “Só quero ver você formado, depois Deus pode me chamar”. Na festa de formatura, sua emoção contagiava a todos. Surgiu, então, um pedido novo: “Só queria estar no seu casamento”. Aos 24 anos, eu me casei sob seu olhar orgulhoso. Ela dançou só um pouco, pois muitas de suas articulações estavam tomadas pela artrose. Não pediu mais nada (ao menos em voz alta), mas viu nascer minha filha, sua segunda bisneta.

Acho que de­pois do meu casamento, ela renovou unilateralmente seu contrato com Deus. Minha avó é um bom exemplo de como um neto pode aumentar a vontade de viver, de ser feliz, de ver a ponte da continuidade da família construída por seus descen­dentes. Penso em seu sorriso, agora que virei avô. Talvez este­ja na hora de eu começar a expressar meus pedidos.”

O papo que ninguém quer (Lidia R. Aratangy)

(…) “Atendendo a um pedido da filha, eu estava com a minha neta de quatro anos naquela manhã de quarta-feira. Era hora de prepará-la para a escola e de voltar ao meu consultório. Mas ela se recusa:

– Não quero ir para a escola hoje!

– Sei que prefere ficar aqui, brincando comigo. Eu também, mas você vai para a escola e eu vou trabalhar.

– Por quê?

– É assim com todo o mundo: criança vai para a escola, gente grande trabalha. Seu pai trabalha, sua mãe trabalha, seu avô traba­lha, sua avó trabalha.

Ainda não convencida, as lágrimas se misturando ao banho, ela me pergunta:

– Vó, como é o seu trabalho?

Embatuquei. Como explicar o meu trabalho para uma criança de quatro anos? Comecei devagar, sem saber bem aonde ia chegar:

– É que uma moça está muito triste e…

– Eu também estou! – interrompe-me ela.

Achei o caminho:

– Mas você sabe que está triste porque quer ficar comigo e não pode. Quando chegar à escola e começar a brincar com seus ami­guinhos, você vai guardar sua tristeza em uma gavetinha, e ela vai ficar lá, quietinha, até a gente se encontrar de novo. Daí a gaveta se abre e a tristeza vai embora. Mas essa moça está com uma tristeza toda misturada e confusa, que ela não sabe de onde vem, nem onde guardar. Ela vem conversar comigo, no meu consultório, pra gente desembaraçar a tristeza, separando o que está grudado, até que…

Continuei, tentando colocar em palavras acessíveis o obscuro trabalho do terapeuta. Ela me ouvia, com seus grandes olhos arre­galados. Seu comentário foi cortante, definitivo:

– Por que ela não vai conversar com a avó dela?”

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