Estudo com chimpanzés confirma que chatos tendem a ter menos benefícios sociais. Será que é seu caso? Descubra e saiba o que fazer.

Um estudo da Universidade de Emory, em Atlanta, reforçou o que todo mundo já sabia: chatos têm mais dificuldade de fazer amigos. E isso não é verdade apenas entre humanos. A experiência foi feita com chimpanzés, que ao escolher fichas de diferentes cores, determinavam se o cientista deveria dar bananas ao animal na gaiola vizinha. Em até dois terços das oportunidades, os animais decidiram cooperar. Eles tendiam a cooperar menos com vizinhos de jaula que os importunavam muito, cutucando o parceiro ou cuspindo água para chamar a atenção.

E, das muitas coisas que partilhamos com os chimpanzés, está também a má vontade com os chatos.

Chato assumido, José Monteiro, 30 anos, gerente de sustentabilidade, diz não se preocupar muito com os prejuízos. “Já fui excluído por ser chato, mas não por pessoas que me importassem. Eu implico com muitas coisas, peço explicações. Não irrito as pessoas seriamente, pelo menos não lembro de brigar com ninguém. Irrito com pouca intensidade, mas constantemente. Deve ter um outro jeito de fazer as coisas, mas….”

Sou insuportável?
Nem todos têm a autocrítica de Monteiro. “Os vínculos sociais são alimentados. Se você tem comportamentos antissociais, recebe isso de volta”, diz a psicóloga clínica Viviane Sampaio. “O isolamento é um sintoma” – ou seja, uma dica de que você pode estar sendo chato.

Se você não sabe se é um chato, a psicóloga Margarida Antunes Chagas dá algumas dicas. “Se os amigos da turma da faculdade ou trabalho sempre se reúnem e você só fica sabendo depois, ou aparece uma oportunidade de trabalho e as pessoas não indicam o seu currículo, ou quando seus encontros amorosos nunca passam do primeiro dia, você pode estar sendo chato”, alerta.

Não ser chato depende de ler o outro. “O chato vê o mundo de uma forma muito preto no branco. Nos relacionamentos sociais, o que vale não é estar certo, é a inteligência social. É isso que te dá poder de comunicação, carisma, popularidade. Ser agradável traz pessoas para perto”, diz Viviane Sampaio.

Como mudar
Sem desespero: mesmo para quem tem dificuldade, é possível se tornar uma pessoa mais legal e agradável. “Chatice é mutável. É questão de aprender a ler os sinais corporais dos outros, aprender formas de falar mais amistosas, avaliar vantagens e desvantagens em cada situação, decidir se prefere de ter razão ou focar no bem estar do outro”, orienta Viviane.

De acordo com Marina Vasconcellos, quem não consegue ouvir o feedback dos outros pode se beneficiar muito da ajuda profissional. “São pessoas que tendem a não respeitar muito a opinião de amigos e conhecidos. Aí facilita ter alguém isento.”

Mais chato é quem me diz
Dá para ser irritante e feliz? “Sim, mesmo porque todos temos algo de chato. Muitas vezes esta chatice pode ser o seu ponto forte, aquele que todos os amigos e colegas de trabalho se referem para brincar com você. O importante é perceber se esta característica está diminuindo suas qualidades, ou seja, está prejudicando suas relações”, diz Margarida. “Ele será mais facilmente ‘aceito’ se conviver com pessoas que dividem com ele as mesmas ‘verdades.’”

E há quem, como Monteiro, curta pegar no pé dos outros. “Há pessoas que acham que a chatice leva à felicidade. Tem gente que funciona assim, que faz questão, tem prazer em incomodar o outro”, admite. “Dependendo do grau dessa reação, é uma patologia. Mas em casos mais extremos”, diz Marina Vasconcellos. Mas se é só seu jeito e não prejudica ninguém, viva a chatice!

FONTE: IG Delas

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