Padrastos e enteados: dicas para um bom convívio

Pesquisa norte-americana levantou os fatores que mais ajudam e os que mais atrapalham essa relação

pai

O número de famílias-mosaico no mundo todo está aumentando. Cada vez mais os casais têm liberdade para se separar de seus companheiros e encontrar novos amores. Esse processo costuma ser mais difícil para quem tem filhos e a maneira como essas novas relações familiares se estabelecem depende de vários fatores. Agora, um estudo da Universidade de Brigham, nos Estados Unidos, parece ter chegado a uma conclusão sobre as atitudes que mais influenciam na forma como as crianças estabelecem uma relação com o novo namorado da mãe.
Os pesquisadores analisaram 1088 crianças e adolescentes de 10 a 16 anos. Eles identificaram algumas atitudes que aproximam e afastam os filhos do primeiro casamento do padrasto. Da perspectiva das crianças, há frustrações quando o novo homem assume muita autoridade dentro da família ou se ele tenta mudar radicalmente a rotina e os hábitos da casa. Quando a mãe age como se nada de significativo tivesse mudado – o novo companheiro é uma substituição, ao invés de uma adição – ou toma para si toda a responsabilidade de cuidar dos filhos também existe conflito.
Entre as atitudes positivas, estão o novo casal discutir o mínimo possível, mãe e padrasto estarem de acordo em relação à educação das crianças e, especialmente, incentivar os filhos a compartilhar os sentimentos e frustrações em relação ao novo marido (ou namorado). “As mães precisam deixar seus filhos saberem que tudo bem conversar se eles tiverem algum problema com o padrasto, porque todo mundo está tentando entender como será a nova dinâmica familiar”, afirmou Kevin Shafer, um dos envolvidos no estudo.
Para a terapeuta familiar Carmen Lucia Pinheiro, os resultados da pesquisa fazem muito sentido. Ela ressalta que a aceitação de um padrasto ou madrasta também depende muito de como se deu o processo de separação dos pais. Quanto mais traumático ele for ou quanto mais partido os filhos tomarem a favor de um dos genitores, mais difícil será a aceitação de um novo membro. A idade da criança também faz diferença. As menores costumam aceitar com mais tranquilidade. Já as mais velhas entendem melhor o que está acontecendo ao seu redor e têm capacidade de questionar os pais.

A partir de sua experiência no consultório, Carmen Lucia reuniu algumas dicas para tornar a convivência mais tranquila:

– A primeira coisa que os pais precisam esclarecer, independente da idade dos filhos, é que pai e mãe serão sempre pai e mãe. Ou seja, eles não desaparecerão da vida das crianças mesmo que a configuração familiar se altere
– Se a mãe ou o pai encontrarem novos companheiros, é importante que essa pessoa crie uma relação saudável com as crianças antes de morar junto com elas. Assim, a adaptação será mais fácil
– O novo namorado ou marido (o mesmo vale para namorada ou esposa) não pode entrar na casa da família querendo mudar todas as regras. Primeiro, ele precisa entender como a dinâmica funciona e participar dela. Aos poucos, à medida que conquista um espaço nessa dinâmica e cria laços afetivos, ele pode sugerir novas regras, mas sempre em diálogo com as crianças e em acordo com a mãe ou o pai
– Se o padrasto ou madrasta estiver interessado em amar exclusivamente sua mulher ou seu marido, dificilmente a convivência será harmoniosa. As crianças também precisam sentir que são amadas e o novo membro da família precisa demonstrar carinho por elas
– É fundamental conversar quando surgirem problemas entre padrasto ou madrasta e as crianças. Por outro lado, quando o casal briga, as crianças não são obrigadas a assistir
– Não é porque o processo de adaptação é difícil que as pessoas separadas devem desistir de seus projetos de vida. Isso é, todo mundo tem direito a ter um novo companheiro
– A entrada de outra pessoa na família não é só drama. Ela pode ser muito positiva e até mesmo um aprendizado para a criança ser mais tolerante com o novo e o diferente.

Fonte: Revista Crescer

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