Embora as crianças – e os publicitários – tenham descoberto recentemente as novas mídias, como computares e telefones celulares, a TV continua sendo a grande disseminadora comercial, contando com investimentos em publicidade de mais de R$ 46 bilhões no Brasil em 2010 (61% do total investido). Expostos em frente à tela por horas, sem mediação adulta, a criança fica a mercê deste bombardeio de publicidade, no ar todos os dias.

No Brasil, o tempo médio das crianças assistindo à TV é um dos maiores do mundo e chegou a 5h04min em 2010. Um levantamento do Projeto Criança e Consumo, feito em outubro do mesmo ano, mostrou que, em apenas um dia daquele mês, as crianças ficaram expostas a mais de mil inserções comerciais.

Nesse contexto, é essencial que os pais limitem o tempo que os filhos passam em frente à televisão. Mas como conseguir isso? Uma matéria de março, do Boston Globe, abordou exatamente esse problema. Em uma das cidades mais frias dos EUA, diversos pais deixaram as crianças abusarem da TV nos muitos dias de neve que fecharam as escolas da cidade durante o inverno. E depois, para voltar à rotina?

A Academia Americana de Pediatras recomenda que crianças com menos de dois anos não assistam à TV e que as mais velhas fiquem no máximo duas horas em frente a telas, algo talvez mais fácil de falar do que fazer. A reportagem traz depoimentos de mães que estão enfrentando problemas para impor esta restrição e que acabam cedendo aos desejos dos pequenos. “Se eu deixo meu filho assistir a seis programas seguidos e de repente diminuo essa quantidade para dois, acontece um pequeno escândalo”, disse um dos pais. “Se flexionamos as regras que estabelecemos, eles começam a achar que tudo pode ser negociado”, explica Amy McCready, do Positive Parenting Solutions.

Para o pediatra Michael Rich, os pais enfrentam esse estresse principalmente nos fins das férias de verão, quando precisam impor o limite, mas também no começo do período sem aulas. A matéria sugere outras atividades, como colagens e outros projetos artísticos que custam pouco e entretêm os pequenos por horas. Mas quando o caso não é uma tempestade de neve, tirar as crianças de casa continua sendo essencial.  Para algumas dicas de diversão, vale ler esta matéria do site do Projeto.


FONTE: blog do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana.

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