Respeito é bom e criança também gosta!

Sou daquele tipo de adulto que, numa reunião de pessoas, avistando uma roda de crianças e uma roda de adultos, acabo sempre escolhendo ficar com a criançada. Tive a sorte de ter uma Mãe que escolheu dedicar sua vida profissional às crianças e de me escolher para fazer parte deste mundo maravilhoso, verdadeiro, sincero, cheio de fantasias e encantamento. Sempre respeitei muito as crianças, levando elas a sério, procurando entender sus vontades, seus anseios, suas inseguranças, dando votos de confiança, dando espaço para se manifestarem, se expressarem, relevando muito e desculpando seus “deslizes”. Minha paciência, admiração e devoção pelas crianças são imensamente maiores do que pelos adultos. As crianças tem uma abertura para o diálogo incrível, prestam atenção no que nós, adultos, fazemos, são “esponjinhas” que absorvem nossos pensamentos, nosso jeito de ver a vida, de tratar as pessoas, de se relacionar e nos elegem como exemplos a seguir.

Estes dias estive pensando sobre como tenho tratado minhas filhas e que tipo de pessoas elas se tornarão quando chegarem na fase adulta. Tudo bem… Sei que não é possível controlar que tipo de pessoas elas se tornarão, mas gostaria muito que fossem pessoas seguras, autônomas, carinhosas, delicadas, sensíveis e que elas sempre tivessem a certeza de poder contar comigo. Procuro, em coisas corriqueiras, mostrar a elas meu companheirismo e atenção. Vou citar exemplos na área que domino, alimentação.

Na hora de se alimentar, prefiro fazer um prato de comida com uma quantidade que sei que elas comerão, caso contrário, sempre terão a sensação de estarem falhando porque não conseguem “raspar o prato” ou podem pensar que jogar comida no lixo é normal. Se tem algum alimento ou preparação que sei que elas não conhecem ou que não gostam muito, não ponho simplesmente no prato e as obrigo a comer ou torço para que elas não percebam e acabem comendo. Eu apresento este alimento para elas, espero provarem, experimento junto, pergunto se gostaram e, caso não tenham gostado, respeito o paladar delas.

Outra coisa que acontece temporariamente com os adultos e também com as crianças é o excesso ou a falta de apetite. Nem sempre estamos com fome e nem sempre o que normalmente comemos nos sacia. Estas variações de apetite também acontecem com as crianças. Precisamos ter sensibilidade para identificar dias assim e respeitar a vontade da criança, sem forçar a comer ou privá-las do repeteco.

Enfim, são situações que vivemos com nossos filhos e que penso ser importantíssimo saber lidar com as variações diárias de uma forma tranquila, sem se estressar, sem deixar o ambiente pesado. Hora de se alimentar precisa ser uma hora feliz para todos, um momento de prazer, de comunhão, de ajuda, de assistência. Nós, adultos, precisamos incentivar as crianças a terem uma relação saudável com a comida. Assistir a eles no que precisarem, participar, sem militarismo, sem regras que engessam um ato tão espontâneo.

Fernanda Galvão

Nutricionista, diretora administrativa da Escola Trilhas e autora do blog “Sobre a Mesa”: www.sobreamesanutricao.wordpress.com.

Comentar