Como lidar com isso?

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Você está dormindo tranquilamente quando é acordada no meio da noite com o choro incessante do seu filho. Você corre para o quarto dele e percebe que tudo não passou de um pesadelo. “Calma, filho. Foi só um sonho ruim!”, é o que você diz, querendo que ele volte a dormir no minuto seguinte. Mas, na prática, não é bem assim que acontece, não é mesmo?

Por que será que esses pensamentos ruins insistem em invadir os sonhos de nossas crianças? Mudanças repentinas e vida agitada são as maiores explicações para eles, mas os pesadelos, quando constantes, também podem significar que algo não vai bem com o seu filho. Para esclarecer suas dúvidas sobre o assunto, consultamos as especialistas Marcia Pradella, neurologista responsável pelo setor de pediatria do Instituto do Sono da Unifesp, e Melina Blanco Amarins, psicóloga e psicopedagoga do Hospital Albert Einstein (SP). Confira:

Por que os pesadelos acontecem?
Tanto os sonhos bons como os ruins ocorrem na fase REM do sono (aquele em que há intensa atividade cerebral). O que vai determinar se o seu filho terá ou não pesadelo será, na verdade, as situações que acontecem no dia a dia dele. Uma briga com os amigos, a descoberta de um inseto nojento ou, até mesmo, a história de um filme ou livro com que ele teve contato podem ser ganchos para as noites se tornarem turbulentas.

Existe uma fase mais propícia para que eles se manifestem?
A partir do momento em que a criança começa a entender os sonhos, os pesadelos podem surgir. No entanto, os médicos dizem que isso é mais comum por volta dos 3 anos, quando a criança já tem um bom nível de maturação do sistema nervoso central (parte do cérebro responsável por receber e processar informações). É essa maturidade que faz com que ela interprete a experiência que teve durante o sono, o que, por sua vez, origina sentimentos de medo, ansiedade e receio. Aliado a isso, as fases pré-escolar e escolar introduzem novas experiências na vida da criança, que estimulam muito a criatividade e imaginação.

Até que ponto é normal ter pesadelos e quando pode estar passando dos limites?
Dados da Associação Brasileira do Sono mostram que de 20% a 30% das crianças entre 5 e 12 anos têm um pesadelo a cada 6 meses. Os especialistas não falam em uma média “normal” de sonhos ruins, já que isso varia de um indivíduo para outro. Se de uma hora para outra, porém, eles se tornarem muito frequentes, pode ser um alerta. Uma pesquisa da Universidade de Warwick, no Reino Unido, indicou que crianças de 8 a 10 anos que sofrem bullying são mais propensas a ter pesadelos e outras parassonias, como enurese e terror noturno.  Isso porque, geralmente, os sonhos servem para o inconsciente dar vazão aos medos, inseguranças, angústias e situações de conflito do dia a dia.  Ao menor sinal de problema, vale fazer uma avaliação informal da vida do seu filho: como está a rotina escolar? O ambiente familiar está muito tenso?  Ele presencia muitos conflitos? Está passando por alguma mudança? Essas respostas vão mostrar se é hora de ter uma conversa séria para entender o que ele está sentindo e, quem sabe, até levá-lo a um especialista.

O que fazer se o seu filho acordou por causa de um sonho ruim?
Se ele despertou assustado, o melhor que você tem a fazer é tranquilizá-lo com carinho e acolhimento. Um beijo e um abraço costumam funcionar. Se o seu filho tiver menos do que 4 anos, está na fase em que é difícil diferenciar a imaginação e a realidade, por isso, é bom você explicar para ele que o sonho está só na cabeça dele, que monstros não existem, que ele está seguro em casa. Às vezes, colocar para dormir com um bicho de pelúcia ou um brinquedo é uma ótima saída para os momentos mais tensos. Para as crianças maiores, a dica é não valorizar o pesadelo, ou seja, nada de ficar pressionando para saber os detalhes ou, na noite seguinte, perguntar se sonhou de novo com a mesma coisa. O melhor é minimizar o momento ruim.

Dá para evitar que seu filho tenha pesadelo?
Evitar não dá, mas os pais podem criar um ambiente mais propício para o filho dormir bem. Para isso, a preparação para a hora do sono é fundamental. Não deixá-lo acordado até tarde, desligar televisão, tablets e computador de meia hora a duas horas antes do sono, para que ele não fique muito agitado, apagar ou abaixar as luzes do ambiente, verificar se o travesseiro e a cama estão confortáveis e adequados às suas necessidades, tudo isso contribui para um sono mais tranquilo.

Há algo de bom sobre os pesadelos?
Dá para tirar um aprendizado de tudo, não é mesmo? Os pesadelos ajudam também a criança a lidar com aquilo que foge do controle: o medo. Por meio deles, ela pode aprender a controlar esse sentimento e a ansiedade que geram. Sem contar que ajudam os pais a decifrar o que se passa na mente da criança e ela não sabia, mas que foi revelado por seu inconsciente.

NÃO CONFUNDA

Pesadelo com terror noturno
Diferente do pesadelo, que é um sonho ruim, o terror noturno é um distúrbio do sono que acontece durante a fase não-REM (sono de ondas lentas) e que acomete de 3 a 4% das crianças brasileiras, de acordo com o Instituto Brasileiro do Sono. Se o seu filho sofre com o problema, é muito provável que ele grite, transpire e chore muito durante a noite, mas não acorde. E muito menos se lembre no dia seguinte. Diante de episódios como esses, os pais devem apenas acolher a criança e esperar o episódio — que dura cerca de 10 minutos — passar.

Fonte: Revista Crescer.

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