Espetáculo “Circo da Miséria”, aqui na Trilhas!

O maior (des)espetáculo da Terra

Na próxima semana, as turmas do Ensino Fundamental assistirão ao (des)espetáculo “Circo da Miséria”, com o poeta e palhaço Jeff Vasques, sorocabano, radicado em Campinas.

Saiba mais:

Proposta
Apresentação do desespetáculo de palhaço “Circo da Miséria” seguido de breve bate-papo sobre as temáticas da “miséria” e da “população em situação de rua”.

Objetivo
Sensibilizar corações e mentes para a temática da miséria e da população em situação de rua através do riso, do assombro e da comoção, própria da tradição do palhaço-vagabundo.

Justificativa
Miséria: o mundo de pernas pro ar
O Brasil é o 8º país com maior desigualdade social no mundo e ocupa o 13º lugar no ranking da miséria mundial (agência Bloomberg). A situação mundial é igualmente grave: segundo a ONU, metade da população mundial vive na pobreza. Decorre, dessa situação, o alarmante número de pessoas em situação de rua que, segundo pesquisa realizada apenas em 71 dos maiores municípios do Brasil, já chega a 50 mil adultos (IBGE).

Apesar dessa gravíssima situação social estar presente no cotidiano brasileiro, observa-se, em geral, o “anestesiamento” dos indivíduos que não mais se sensibilizam com a miséria e a população em situação de rua, perdendo a capacidade de se solidarizar e se indignar, assumindo muitas vezes essa situação como “natural”, “impossível de mudar”. A miséria se apresenta, portanto, nessa dupla forma: como pobreza, de uma lado, e alienação-indiferença, de outro. Em ambos os casos, perdemos nossa humanidade.

Arte e consciência social
A arte e a educação, apesar de não serem suficientes para a superação da miséria, podem cumprir um importante papel para reverter esse “anestesiamento”, tornando sensíveis, novamente, os corações embotados pelo massacrante dia-a-dia, comovendo e provocando o público para que possa compreender a realidade e agir para a transformação social.

Entendemos que o palhaço, em especial, ocupa um papel privilegiado para essa sensibilização ao expor sua (nossa!) fragilidade, ao dialogar direta e interativamente com o público através de seu enfrentamento bobo-ingênuo dos problemas encontrados em seu caminho. Por maiores que sejam as dificuldades, por mais incapaz de resolvê-las, o palhaço segue como um Sísifo atrapalhado tentando resolvê-los e, assim, se afirma como enorme potência de vida, apesar das tragédias em que se vê envolvido.

Enredo
No “Circo da Miséria”, Magrólhos acorda em mais uma praça como um saltimbanco em roupas surradas, carregando em seus bolsos fome, sonhos e o pó das estradas. Chega como um mambembe, como mais um catador colhendo o que já não tem serventia para lhes dar nova vida; enfim, chega como um palhaço “vagabundo”, armando sua lona preta sob a qual dorme e sobre a qual levanta o picadeiro de sua luta diária por sobrevivência. Após acordar em cima de uma lixeira, Magrólhos – esfomeado – começa a vasculhá-la. Busca comida para o estômago; companhia, para o coração; e, fantasia, para a alma. É do encontro com o lixo, com os restos da nossa sociedade, que nascem todos os números deste desespetáculo: faz malabarismos com sacos de lixo; dá vida aos objetos inúteis; apaixona-se por uma passante a quem convida para seu globo da morte; desanda na corda bamba da linha da pobreza; dança, canta, foge da polícia; sua fome o conduzindo ao desejo e ao nojo dos restos; disputa uma salsinha com um gato; dança seu “sonho de valsa” com um vestido, buscando fugir da solidão. Enfim, Magrólhos mergulha  no lixo para então renascer na mão ofertada pelo público.

Construção
Este desespetáculo é influenciado pela tradição dos palhaços “vagabundos”, que tem em Carlitos, de Charles Chaplin, sua encarnação mais famosa. Esses palhaços usam da criatividade e de toda seu “jeitinho esperto” para garantirem o sua sobrevivência, como abordado por Antônio Cândido em “A dialética da malandragem” e, eternizado, em figuras como João Grilo, no “Auto da Compadecida” de Ariano Suassuna. Outro vetor fundamental para a criação do desespetáculo é a pró-pria população em situação de rua. Através do Fórum da População em Situação de Rua de Campinas e de seu Centro-Pop (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua), Jeff Vasques travou contato, desde o início de 2015, com as demandas dessa população, desenvolvendo com eles, por meses, oficinas semanais de palhaço e teatro, participando de suas atividades, reuniões e manifestações públicas. Suas questões e olhares guiaram a construção do Circo da Miséria desde o início.

Currículo
Jeff Vasques (palhaço Magrólhos)

Poeta e palhaço Jeff Vasques, sorocabano radicado em Campinas.


Tem pesquisado a comédia e a arte da palhaçaria há mais de 15 anos. Aprendeu com os seguintes mestres-palhaços: João Mendes (2000-2002); Ana Elvira Wuo (2002; 2003); Esio Magalhães (2013); Luciane Olendzki (2013-2014); mestre internacional Eric Le Bont (Espanha, 2013); mestre internacional Chacovachi (Argentina, 2013); Estela Huergo (Argentina, 2013). Fez curso livre de teatro com o Barracão Teatro – Campinas (2012). Trabalhou como palhaço em hospitais de Campinas e região com o grupo “Libertadores do Riso” (2002-2004). Desenvolveu projetos de incentivo à leitura e escrita através do palhaço, literatura e música (projeto “Sarau”, prefeitura de Campinas, 2003-2004); projetos de formação de professores em arte-educação através do palhaço (“Procura-se os sentidos”, prefeitura de Campinas, 2002-2003). Ministrou curso de palhaço para crianças e adolescentes (Campinas, 2003); curso intensivo de impro/teatro-esporte para a Cia. De Arak e para o grupo do Poropopó (2013).

Realizou diversas intervenções de palhaço em espaço públicos e apresentações de cenas em eventos, saraus e cabarés (2002-2016). Apresentou em 2012 o espetáculo “O homem da cabeça de papelão” (Barracão Teatro, Campinas) e o espetáculo de palhaços “Do pó ao poporopó: Funeral Clown” (2014). Em 2015 estréia seu espetáculo de palhaço solo de rua “Circo da Miséria”.

Histórico
O “Circo da Miséria” foi selecionado e financiado pelo edital de cultura da prefeitura de Campinas (FICC) em 2015, sendo apresentado em diversos espaços públicos de Campinas e região. Com um ano de “estrada”, o desespetáculo já passou por diversos eventos e festivais, como:
. Festival de Arte e cultura da Flaskô (Sumaré/SP)
. Centro de Arte e Cultura de Hortolândia/SP
. Festival Ativa Mente Hortolândia/SP
. 8a Mostra Luta (Campinas/SP)
. 4a Bagaceira (São Paulo/SP)
. 1a Mostra Intersindical de Teatro (Santos/SP)
. Praça Arte Viva (Nova Xavantina/MT)
. 1o Fest Rua – Mov. da Pop. em Sit. de Rua (São Paulo/SP)

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