Diabetes tipo 2 em crianças e a sobrecarga das células

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No Brasil, quando uma criança é diagnosticada com diabetes, geralmente é do tipo 1, ou seja, autoimune. Acontece quando o organismo produz anticorpos que, em vez de proteger o corpo, atacam as células do pâncreas responsáveis pela produção da insulina, hormônio que coloca a glicose (açúcar) dentro das células para que sirva como fonte de energia. Embora não exista cura, há formas de controle.

O problema é que paralelamente ao aumento da obesidade, as crianças começaram a ser  diagnosticadas com uma espécie de diabetes que só aparecia em adultos: o tipo 2, em que o excesso de peso e de gordura no corpo cria uma resistência à insulina e prejudica sua ação no organismo. Há 20 anos, esse tipo de doença em crianças era raríssimo. Hoje, dados da American Diabetes Association mostram que a cada 100 casos de diabetes em crianças e adolescentes norte-americanos, 30 já são do tipo 2.

A professora Angela Maria Spinola, chefe do setor de endocrinologia pediátrica da Unifesp, explica que, no Brasil, ainda há poucos casos que evoluem para esse distúrbio, mas os quadros de resistência à insulina são frequentes. Ou seja: o hormônio não dá conta de cumprir sua função de promover o aproveitamento da glicose – e isso acontece, principalmente, devido ao exagero na ingestão de doces e carboidratos. Consequentemente, o pâncreas passa a trabalhar redobrado para produzir insulina em maior quantidade. Com o tempo, ele não dá conta da sobrecarga e as taxas de açúcar começam a subir, a caminho do diabetes.

Antes que isso aconteça, a saída é adotar, novamente, hábitos saudáveis, como atividade física regular e uma dieta inteligente. Isso significa, claro, diminuir as guloseimas açucaradas e gordurosas e procurar, sempre que possível, substituir os carboidratos simples, como o pão branco, pelos integrais, que são absorvidos mais lentamente pelo organismo, promovendo saciedade e mantendo as taxas de insulina mais estáveis.

Exercício físico, sim!

Há quem diga que o maior culpado do aumento da obesidade infantil é o sedentarismo. O Brasil é hoje o país com maior índice de inatividade física da América Latina. “A cada cinco crianças, quatro são sedentárias. O nosso corpo foi feito para funcionar bem com movimento e isso vem da evolução das espécies, na qual sobrevivia aquele que se movimentava e corria mais para não se tornar presa. Hoje em dia, estamos perdendo essa característica e quem sofre é o organismo”, lamenta o professor de educação física e nutrição Marcio Atalla, de São Paulo.

Os benefícios da atividade física são incontáveis: ela melhora a capacidade cardiorrespiratória, derruba a taxa de LDL ao mesmo tempo em que aumenta a de HDL, eleva a sensibilidade à insulina e, claro, queima calorias, afastando a ameaça da obesidade.

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que crianças devem praticar atividade física pelo menos cinco vezes por semana, variando entre brincadeiras que exigem movimento, como pega-pega, até a prática de esportes, como natação. “O que a gente aconselha é que a criança tenha gosto pelo exercício. Por isso, pai e filho precisam chegar a um consenso sobre a melhor modalidade. Também não adianta só mandar a criança se exercitar, os pais precisam dar o exemplo, sempre”, explica Atalla. Comece levando seu filho para brincar no parque no próximo fim de semana. A saúde dele e a sua agradecem!

Fonte: Revista Crescer.

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