Alimentação complementar do bebê deve ser rica em micronutrientes

Mãe oferece alimentação complementar ao bebê, rica em micronutrientes (Crédito: Evgeny Atamanenko/Shutterstock)
Mãe oferece alimentação complementar ao bebê, rica em micronutrientes (Crédito: Evgeny Atamanenko/Shutterstock)

Os benefícios do aleitamento materno, preferencialmente até o sexto mês de vida, são amplamente conhecidos e divulgados com justificada razão, amparados por sólidas evidências científicas. Porém, devido à ênfase dada a esse período, a alimentação complementar, denominação usada hoje para o momento da introdução de novos alimentos sólidos ou semissólidos, além do leite materno, termina por não receber a devida atenção.

A alimentação adequada até os 2 anos de idade é fundamental para promover o crescimento e o desenvolvimento apropriados da criança. Até os 6 meses de vida, o leite materno deve ser a única fonte alimentar, pois sozinho é capaz de nutrir adequadamente as crianças, além de favorecer a proteção contra doenças. Porém, findo esse período, a complementação do leite materno é necessária para elevar a densidade energética da dieta e aumentar o aporte de micronutrientes, em especial ferro, zinco, cálcio, vitamina A, vitamina C e folato (nutriente do complexo B).

Mas por que essa fase é tão importante? O principal argumento contra a introdução precoce dos alimentos complementares é o aumento dos riscos de morbimortalidade, sendo motivo de atenção maior em áreas nas quais as condições de higiene são insatisfatórias. Oferecer à criança outros alimentos além do leite materno antes do sexto mês de vida pode tornar a criança mais vulnerável a infecções respiratórias e gastrintestinais e à desnutrição, levando ao comprometimento do crescimento e desenvolvimento adequados.

Mais recentemente verificou-se que a introdução precoce, antes dos 4 meses, especialmente de alimentos sólidos, acarreta uma maior ingestão energética, aumentando significativamente o risco de sobrepeso e obesidade. Outras práticas comuns que terminam por favorecer um ganho de peso excessivo são o uso precoce de leite de vaca integral; o acréscimo de carboidratos simples às mamadeiras; oferecimento de biscoitos e farináceos; utilização de açúcares e geleias nas frutas; e ingestão de sucos industrializados com excesso de açúcar em sua composição.

E qual a razão de oferecermos esses alimentos preferencialmente a partir dos 6 meses de vida? O desenvolvimento neurológico da criança determina a idade de introdução dos diferentes tipos de alimentos. Lactentes aos 6 meses devem consumir alimentos semissólidos e macios (papas, purês), podendo ser amassados, porém nunca liquidificados ou coados. A partir dos 8 meses, a criança pode receber alimentos amassados, desfiados, picados ou cortados em pedaços pequenos. Aos 10 meses devem ser oferecidos alimentos com mais pedaços e um pouco mais consistentes. Aos 12 meses, a maioria das crianças pode receber os mesmos alimentos da família, evitando-se alimentos que possam oferecer riscos de engasgos ou excessivamente duros. A consistência inadequada dos alimentos compromete sua ingestão.

Recomenda-se iniciar oferecendo pequenas quantidades de alimentos, aumentando, gradativamente, à medida que a criança cresce, devendo a consistência ser adaptada às suas necessidades e habilidades.

A alimentação complementar adequada deve compreender alimentos ricos em energia e micronutrientes, sem contaminação (isentos de micro-organismos patogênicos, toxinas ou produtos químicos prejudiciais), sem ou com pouco sal ou condimentos, evitando-se alimentos industrializados. A quantidade deve ser apropriada, usando-se alimentos de fácil preparação, usados pela família e de custo aceitável. Devem ser oferecidos alimentos dos grupos de cereais ou tubérculos, alimentos proteicos de origem animal, leguminosas e hortaliças.

Finalmente, é sempre importante lembrar que os hábitos alimentares se consolidam nos primeiros três anos de vida, hábitos esses fundamentais não somente para um crescimento e desenvolvimento adequados, mas determinantes para a prevenção de doenças crônicas na idade adulta, em especial a obesidade, hoje preocupação que assume relevância no acompanhamento pediátrico.

*Walter Taam Filho é pediatra, faz parte do Comitê de Nutrologia da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (Soperj), doutor em Ciência dos Alimentos (IQ-UFRJ), coordenador e professor de Nutrologia da Universidade Veiga de Almeida.

Fonte: Saúde360

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